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10 arquétipos: Slice of Life

Olá amigos! Após um bom tempo tentando pensar num foco para participar aqui do Blog do Netotin, decidi por criar uma série de posts focadas em analisar os arquétipos de determinado tipo de anime. Neste primeiro post, falaremos sobre o slice of life. Uma coisa que vale lembrar é que é importante não confundir arquétipo com clichê.

Embora muito parecidos, os arquétipos são conceitos primordiais, que servem para definir a essência de uma estrutura narrativa, ou mesmo a essência de um personagem. Já os clichês são ideias e conceitos que, de tanto usados, se perdem em seu significado. Embora geralmente usado como algo pejorativo, muitos clichês hoje servem como forma de agilizar a narrativa, simplicando coisas que são irrelevantes no momento. O clichê da pessoa certa sempre atender o telefone na hora exata é um exemplo disso. Quem teria paciência de esperar uma pessoa chamar a outra, gastando preciosos segundos, se isso não é importante para a história? 🙂 Enfim, terminadas as explicações, vamos ao post em si!

1 – A história sem história

O termo slice of life é usado para definir séries que não possuam um plot aparente, ou mesmo que efetivamente não possuam plot algum. O que vemos na série são personagens seguindo suas vidas normais, sendo eles mesmos e comentando sobre fatos da vida que acontece ali, como acontece na vida de todo mundo, inclusive da nossa. Ela serve como uma espécie de escapismo, onde simplesmente trocamos a nossa realidade por outra, de forma a simplesmente “dar uma pausa” na correria do dia a dia.

2 – A escola

A escola é, de longe, o cenário mais comum para histórias do tipo slice of life. Dentre os vários motivos, está a inerente nostalgia que sentimos dessa fase da vida, quando as coisas eram fáceis e fazíamos dramas por coisas que hoje vemos que efetivamente não possuam nenhuma importância. 😛

No Japão, essa relação é ainda mais próxima, devido a eles permanecerem muito mais tempo na escola, principalmente por causa dos clubes de atividades. É mais fácil encontrar animes que se foquem exclusivamente no dia a dia de pessoas de um único clube do que no grupo de uma sala ou algo do tipo, pois é neles que o foco é a socialização. Mas o gênero não precisa necessariamente estar na escola, podendo ter qualquer lugar como plano de fundo, desde o planeta Marte em Aria, passando pela agência 765 de Idolm@ster e até mesmo a casa de Daikichi, em Usagi Drop.

3 – Amizade e maturidade

Devido a falta de um plot principal que mova a série, é comum que a história acabe convergindo para os laços de amizade que unem um grupo de amigos e na maturidade deles como pessoas. Muitas das discussões do dia a dia ali será focada em questões simples da vida, como a ida para a faculdade (e a inevitável separação dos amigos), a evolução profissional, a busca por romance, dentre outros dramas da vida comum.

O ponto chave está em justamente mostrar a evolução do personagem nesse aspecto, de uma forma que não pareça forçada ou fácil, mas que isso tenha gerado um aprendizado para o personagem levar para a vida dele pós-história.

4 – A família ausente

Uma das coisas mais fáceis de se reparar é a ausência de figuras de autoridade, principalmente pais. Professores ou colegas de trabalho podem até aparecem, mas ou eles perdem sua figura de autoridade, como o caso de professores novatos que acabam entrando na onda dos alunos, ou então estão ali meramente como figuração, como o chefe da agência 765, de idolm@ster, que simboliza isso perfeitamente, ao nunca mostra o rosto quando aparece.

5 – Iyashikei e paz de espírito

Iyashikei é uma palavra em japonês que significa “cura”, e quando usado para se referir a obras de anime e mangá, tem por objetivo definir obras que tem como objetivo induzir o espectador a calma e a contemplação. Geralmente se passam em um mundo fictício ou em uma realidade longe do espectador, e vem recheado de cenas prontas para “aquecer o coração do espectador” (frase sistematicamente usada aqui para representar como podem ser melosas algumas dessas cenas.), deixando-o com aquele sorriso no canto da boca ao final do episódio.

6 – A comédia e os personagens

Personagens de Nichijou em um cenário pitoresco

Comédia non-sense na sua essência

Seja sincero: Sempre que vamos lembrar de alguma passagem do passado, acabamos por lembrar de alguma situação engraçada nossa ou de nossos amigos, na maioria das vezes. A comédia é parte essencial da nossa memória afetiva, de forma que as histórias de slice of life sabem aproveitar esse recurso muito bem. Podemos ir desde gags visuais (uso e abuso de personagens em SD, por exemplo), passando por piadas recorrentes (como no caso da personagem Akari sempre aparecer escondida em várias cenas de Yuru Yuri), até mesmo a séries inteiramente focadas no humor.

7 – O cenário e o vento

Quando a história é menos focada no humor e mais na contemplação da série, a importância do cenário pode crescer a ponto de quase virar um personagem próprio, recebendo um tratamento estético que seria deixado de lado por outras séries. É comum nesses casos ver longos planos sequências, com establishing shots mostrando cenários detalhados, o vento movendo as folhas das árvores, o foco da câmera passando para uma revoada de pétalas de cerejeira carregadas pelo vento, a protagonista a caminho da escola segurando a lateral do cabelo enquanto olha para o céu apreciando a cena e… Bom, acho que já deu pra entender, né?

8 – Bora pra praia!

O famoso “episódio da viagem pra praia” é um dos mais reconhecíveis e tem vários objetivos bem definidos. O primeiro é inegavelmente o fanservice, afinal a otakada gosta e o estúdio precisa vender blu-rays da série. Num contexto narrativo, quando bem montado, serve bem para tirar os personagens do lugar comum, onde a sai da zona de conforto pode ajudar a focar num personagem ou como é mais comum, em um par romântico.

A comédia aqui também costuma rolar solta, junto dos hormônios dos personagens, caso sejam adolescentes. Das piadas mais recorrentes, temos muitos sangramentos nasais, as famosas entradas no onsen na hora errada e as histórias de terror na hora de dormir.

Imagem das 4 personagens de Yuru Yuri

Quem veio primeiro, o moe ou o yuri? 😛

9 – Quatro garotas e muito moe

Este é um “sub-gênero” que tem se tornado muito comum ultimamente nos roteiros slice-of-life. Nele aparecem apenas garotas, em um grupinho de quatro ou cinco, que vivem sua vida escolar inocente para deleite do espectador babão.

Como é de se esperar desse tipo de contexto, o apelo yuri é bem forte, bem como a saturação do famoso moe, tanto no character design dos personagens, quanto nas ações das personagens, focados no “bonitinho” e no “meigo”.

10 – Keep Calm And Carry On

Eis que como toda história, o slice-of-life tem de chegar ao seu fim. Com a exceção das comédias, que a essa altura já mostraram a que vieram, cabendo no máximo uma piada para fechar o pacote, as demais séries tem de concluir a história de forma a mostrar como as coisas irão continuar daqui pra frente.

Em geral o foco está no “próximo passo” da vida das pessoas. Uns evoluem na vida estudantil, outros no trabalho, outros enfim engatam uma vida a dois. É o momento de exibir os personagens de forma a mostrar a evolução durante aquele período (claro que há exceções, com uma certa série que resolveu fugir pela tangente e jogar as personagens todas na mesma faculdade, mas vou me abster de comentários xP).

Há casos em que o ciclo não se fecha, e o foco acaba caindo na evolução dos personagens, mostrando eles mais preparados para o caminho a seguir. As meninas de Idolm@ster começando a se ver em uma carreira séria e o entendimento de Daikichi sobre o que é ser “pai” são ótimos exemplos disso.

No fim fica aquele vazio da história que gostaríamos de ver mais, aquela melancolia de sair daquele mundinho e voltarmos a nossa realidade.

*****

É isso aí, amigos, espero que tenham gostado! Elogios, críticas e sugestões pra próxima pauta, é só deixar nos comentários! Até a próxima! 😉

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3 Comentários

  1. A 9º parte me lembra de uma coisa vivo questionando no Twitter, pessoal reclama dos SoL terem meninas moes, quando não há motivo para não ter elas, não tem pra que fazer personagens feias, ainda mais em algo que precisa disso. Até fiz um post lá no meu blog tentando entender o ódio, mas enfim….

    SoL superior, pena que pouco entendem, Aria melhores animes da vida. (nem sei como finalizar o comentário XP)

    • Cara, o problema não é o moe em si. O problema é achar que SÓ o moe resolve tudo. O slice-of-life justamente por ser simples é o mais complexo de ser produzido, de forma a ter uma qualidade que seja satisfatória.

      Por mais bonitinhas que sejam as garotas, se a vida delas pra mim for um tédio, eu vou achar a obra um saco, e o excesso de obras desse tipo faz com que as pessoas acabem fugindo do estilo. Fiz uma análise do estilo sem (quase) fazer crítica a nenhuma obra, mas é gigantesca a lista de obras slice-of-life que vão de medianas pra baixo.

      Pegando exemplos mais atuais, a série do seu avatar: Yuru Yuri. Por mais que tenha ideias legais, é bem fraco em vários aspectos, tanto quanto comédia como em nos mostrar uma história que seja interessante.

      Agora, se pegarmos uma outra obra atual como Natsuiro Kiseki, podemos ver dentro da comédia episódica uma história se desenrolando, com o drama da separação das melhores amigas, gerando um desenvolvimento de personagens muito melhor. No fim das contas, o que realmente incomoda as pessoas é ver uma história sendo mal contada.

  2. Aí vem Uchuu Kyoudai e destrói alguns desses conceitos (y)
    Isso que é slice of life bão

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